Invest Barbados O Seu Lugar é Aqui...Cresça Conosco!

 

Cripto-Caribe: A 'Caixa de Areia’ de Blockchain Mais Idílica do Mundo


2018-10-04 00:00:00

Por Dante Disparte, Colaborador
 
O conceito de isolamento de processos (também conhecido como sandbox ou ‘tecnologia de caixa de areia’) financeiros ou tecnológicos, popularizado ao longo da última década, está ganhando impulso no mundo todo, especialmente à medida que os reguladores estejam tentando colocar os gênios das criptomoedas, do blockchain e das tecnologias de volta para dentro da lâmpada mágica e sob observação (talvez até mesmo sufocando-os por falta de oxigênio). Para alguns reguladores em jurisdições amadurecidas, tais como a Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido (FCA), as sandboxes de tecnologia financeira e de segurança e os empreendedores que as multiplicam estão, em grande medida, vindo de posições de poder e, como resultado, podem promover inovações que “se encaixam no molde” ou melhoram marginalmente o status quo. Lloyd’s, o mercado mais antigo do mundo de seguros especializados, por exemplo, lançou recentemente o Lloyd’s Lab sob um pretexto parecido e com grande alarde. Contudo, ao se examinar com cuidado as jurisdições que se autoidentificam como amigáveis às criptomoedas pelo mundo, as praias idílicas da bacia caribenha não só oferecem as opções mais promissoras, mas elas também são as mais prolíficas quando se trata de inovação revolucionária e os eventuais fracassos épicos que normalmente acompanham todas as grandes ondas de mudanças.  

A história estabelecida por pequenas nações insulares, especialmente as do Caribe, é uma história na qual as pessoas não tinham outra escolha a não ser a de inovar para quebrar a “maldição” de serem cercadas de água por todos os lados, banhadas de sol e “muito pequenas para serem levadas em conta” na economia global. Isto invariavelmente levou muitas nações caribenhas a serem economias de cilindro único, em uma comparação com a atividade de mergulho, com uma maré minguante (e, muitas vezes, extrativa) de turismo, o qual é um dos principais propulsores da economia. Há, no entanto, exemplos emergentes do equilíbrio correto de liderança política e de prudência regulatória, os quais contêm inovação desenfreada e impulsionada pela nova economia verde. Para achar um caso assim, basta olhar para as Bermudas e o seu líder pronto para o futuro, o Premiê de Governo David Burt, o qual foi apresentado como um modelo para o mundo na recentemente concluída Central de Blockchain, organizada pela Concordia e o Conselho Global de Negócios de Blockchain.

Nas praias idílicas das Bermudas e sob uma legislação recentemente aprovada sobre o patrimônio digital, a administração do Premiê Burt não só embarcou em defesa da liderança de longa data das Bermudas em inovação na área de seguros, com mais de US$ 100 bilhões de capital de risco formado na ilha, mas ele também tem como objetivo os cidadãos das Bermudas em uma jornada inclusiva de transformação digital. Uma jornada que produza resultados melhores, mais seguros e mais eficientes quando se trata de serviços ao cidadão, desde o básico na área de identidade até o registro irrevogável dos principais ativos, das terras e também no requisito de educação, assegurando que os cidadãos do países não sejam deixados para trás em um mundo que se transforma rapidamente, com uma escada de mobilidade social cada vez mais complexa. O blockchain e o objetivo de se tornar um estado digital estão no cerne desta estratégia, tanto que as Bermudas têm rejeitado ferozmente quaisquer intrusos que possam estragar a reputação pela qual a ilha lutou bravamente na condição de um centro financeiro de princípios, no mesmo nível dos mais rigorosos do mundo, tais como Nova Iorque, Londres e Genebra. Por este motivo, diferentemente de outros destinos de investimentos que possuem mais empresas registradas do que cidadãos, as Bermudas atingiram o ponto de equilíbrio e evitam a narrativa de ser um escritório de caixa postal no meio do Atlântico ou simplesmente um destino turístico.

Mais ao sul deste posto avançado no Atlântico, um outro líder caribenho respeitado da criptografia, Gabriel Abed, o fundador da Bitt, fez progressos em um território onde outros tecnólogos do blockchain não tiveram a coragem de pisar, especificamente, junto aos bancos centrais – as sentinelas e os guardiões do analógico, da economia carregada de contendas, contra a qual tantos cripto-utopistas (e anarquistas) lutam, mas que tão poucos têm coragem ou ideias para enfrentá-la, muito menos de integrá-la na história. De fato, em grande medida devido à diplomacia apaixonada e ao domínio de oportunidades de blockchain em bancos centrais por parte do Sr. Abed, Barbados abrigará um dos primeiros gêmeos digitais do mundo na economia de um papel-moeda em circulação, o dólar barbadiano. A recentemente eleita Primeira-Ministra de Barbados, Mia Amor Mottley, anunciou esta iniciativa como um de seus principais pilares para assegurar a competitividade e a atratividade econômica da ilha para um grupo de especialistas cada vez maior de tecnólogos e inovadores financeiros que estão procurando por um lugar para se estabelecer.

O trabalho da Bitt de desafiar os bancos centrais e a rede internacional de compensações que faz muitos ficarem para trás, talvez seja a prova mais séria de que o blockchain pode mudar o setor financeiro para que se torne melhor. Uma das reclamações consistentes entre as nações caribenhas sobre o sistema bancário global são as regras proibitivamente caras e excludentes contra a lavagem de dinheiro (RCLD) e de conhecimento de seus clientes (CC) que entraram em voga para combater o terrorismo e os arranjos financeiros de criminosos. O efeito delas resulta em uma dupla penalização para estas nações. Por um lado, os bancos caribenhos querem estar em conformidade com estas regras para tornar o sistema bancário global mais seguro e mais rastreável. Por outro lado, os custos e a complexidade de se fazer isto contradiz a utilidade social dos bancos de fornecer capital a preço viável para os lares e as economias. Contudo, nem todos os casos de cripto-inovação na bacia caribenha tem tanto sucesso assim, nem todos os líderes são tão inspiradores. De fato, ao se subir algumas ilhas no mapa até chegar ao sitiado território americano de Porto Rico, uma das maiores e das mais diversas economias na região, a chegada de cripto-utopistas é vista de forma ampla pelos nativos com ceticismo, como se fosse só mais uma onda de invasão estrangeira que não deve ser aceita, só repelida.

Quando há necessidades tão grandes quanto as de Porto Rico, não pode haver monopólio para ajudar a ilha. Contudo, fazer isto sob o disfarce de um comprometimento de longo prazo, ao mesmo tempo em que tentam trocar o nome de uma ilha com mais de 525 anos de história pós-colonial para “Puerto Crypto” não é só ofensivo, mas também torna questionáveis os recém-chegados e os seus motivos para se mudar para lá. O desafio real em Porto Rico, dado o tamanho e a complexidade de sua economia e a cratera profunda deixada pelo furacão Maria, o qual causou a morte de mais de 3 mil pessoas e demandou mais de 150% do PIB da ilha, talvez seja maior que as aspirações que o alavancar de tecnologias possa criar a partir dos padrões de hoje. O caso de Porto Rico demonstra que grandes reviravoltas que envolvam todo o governo e toda a sociedade são difíceis e exigem uma visão com duração de pelo menos uma década. Em nenhum outro lugar isto é mais verdade do que na Venezuela, um caso-limite de estado falido, cujo começo falso com criptomoedas a partir do lançamento de uma criptomoeda lastreada pelo petróleo, o Petro, foi o equivalente a um balão econômico chutado para frente pelo goleiro sem que tivesse um jogador do próprio time no campo adversário para receber a bola.  

Poucas regiões no mundo testaram os limites das criptomoedas, do blockchain e da tecnologia com tantos avanços e empecilhos como a bacia do Caribe – aqui reside o verdadeiro valor das tentativas e dos erros e das ‘caixas de areia’. Enquanto há luzes brilhantes como nas Bermudas e em Barbados, os quais o mundo deveria imitar, países maiores como o Haiti, a República Dominicana, Cuba e a Jamaica têm a oportunidade de aprender com os outros e de pular à frente. Enquanto isto, como um emblema de auge no setor cripto, as Ilhas Cayman foram sede da segunda maior oferta inicial de moeda (OIM), com a Block.One levantando US$ 4 bilhões, mesmo sem ter um produto viável, mas ela  foi ofuscada pela oferta controversa de Petros oferecida pela Venezuela, a qual, pelo que consta, levantou US$ 5 bilhões.


Fonte: Forbes